quarta-feira, 14 de julho de 2010

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA AMADORA - ‘Este é o mandato das mulheres’

Ver edição completa Maria Alcide Marques é a primeira a assumir direcção da corporação
Em funções há cerca de três meses, a nova direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Amadora (BVA) é dirigida por uma mulher. Maria Alcide Marques é a primeira a assumir estas funções na associação, fundada há 105 anos, e garante que “este é o mandato das mulheres”. Numa organização tradicionalmente dirigida por homens, como é o caso das corporações de Bombeiros, Maria Alcide Marques tornou-se na primeira mulher eleita para presidente dos BVA. A responsável refere que “neste momento já há muitas corporações de bombeiros dirigidas por mulheres”, em particular, “na área metropolitana de Lisboa”. O convite, para ser n.º 1 dos corpos sociais, surgiu depois de ter estado há vários anos ligada às anteriores direcções. Assegura que “é importante, por vezes, uma opinião de uma mulher” que muitas vezes “tem outra sensibilidade, chegando a outros locais que os homens não conseguem”. Mas, vai adiantado que o importante é “o trabalho em equipa, porque aqui todos têm uma função”. Quanto à sua curta experiência na presidência, garante que “tem sido muito positiva”. Tomou posse em Abril, mas garante que esta é uma “direcção de continuidade em relação à anterior”. Numa altura em que os bombeiros vivem a crise, tal como outras instituições, Maria Alcide não baixa os braços e promete encontrar soluções para a corporação. Crise também afecta corporação “O aumento do preço do gasóleo” é uma das preocupações da direcção, um agravamento que se junta ao facto de todo o equipamento ser “muito caro”. Isto, num concelho que embora seja pequeno em área, “tem muita população e é atravessado por vias muito procuradas por pessoas de outros concelhos, como é o caso do IC19 e, futuramente, da CRIL”. Ou seja, há apenas uma corporação para prestar assistência à cidade, cuja população ronda os 200 mil habitantes, mas que “diariamente recebe ainda muita pessoas em deslocações”, afirma. A associação tem cerca de 120 funcionários, entre bombeiros e administrativos, onde apenas 30 estão em regime exclusivo de voluntariado. Trata-se de quase uma centena de pessoas a quem é necessário garantir os ordenados. Mas mesmo assim, o comandante e vice-presidente da direcção, Mário Conde, assegura que “são necessários mais 35 bombeiros para fazerface às ocorrências na Amadora”. Acrescentando que “muitas vezes temos que pedir ajuda a outra corporações”. No entanto, a contratação de novos bombeiros, para já, está longe dos horizontes desta direcção, uma vez que “não há capacidade financeira”, explica ainda Mário Conde. Para fazer face às dificuldades, a associação organiza formações para empresas e escolas do concelho. “Neste momento estamos a dar formação a funcionários da autarquia e temos um protocolo com a Câmara para o movimento associativo”.
Dinamismo gera receitas A provar o dinamismo dos BVA está a afluência aos bailes, aos domingos à tarde, que se realizam no salão nobre da associação. “Há pessoas que vêm de vários locais da Grande Lisboa que vêm para ouvir os grupos musicais a actuar. Em média recebemos cerca de 250 pessoas, mas chegámos a ter perto de 700 pessoas.Uma actividade cujos lucros servem para comparar equipamento para os bombeiros”, explica Mário Conde. A envolver as escolas, a associação tem a decorrer os projectos “Bombeiro por um dia” e o “Bombeiro vai à escola”. Nas férias de Verão, a corporação abre portas aos jovens em idade escolar que durante as férias pretendam ocupar os tempos livres. “É também uma forma de atraí-los à instituição”, garante Alcide Marques. Também pela primeira vez, é uma mulher a exercer as funções de adjunta do Comando. Fátima Diogo, bombeira há 26 anos, diz que vem de “uma família de bombeiros”. Habituada a exercer funções ligadas ao comando diz que não ter notado “grandes diferenças” em relação às novas funções. O que leva a presidente a considerar este, “um mandato das mulheres”. Os Bombeiros Voluntários da Amadora foram criados, inicialmente, ainda o nome da localidade era Porcalhota, numa freguesia do concelho de Oeiras. A sua criação data de 10 de Janeiro de 1905 e as instalações à época eram situadas numa antiga cocheira.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Amadora nega terrorismo

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Município liderado por Joaquim Raposo responde às críticas de Sintra "A Câmara da Amadora não se prepara para ‘num ataque terrorista, despejar em Sintra as 2300 famílias a viverem ainda em barracas’". É desta forma que o município liderado por Joaquim Raposo responde às críticas da autarquia sintrense, em especial do vice-presidente Marco Almeida, sobre a aquisição de fogos no concelho de Sintra destinados a realojar famílias da Amadora. Em comunicado, a autarquia da Amadora esclarece que foram adquiridos 19 fogos, 11 dos quais em sete freguesias de Sintra, mas que vai assegurar o acompanhamento dessas famílias. "Trata-se de realojamento de famílias acompanhadas pelos técnicos da Amadora, à semelhança do que tem vindo a ser feito ao longo de vários anos, como, por exemplo, no Bairro da Coopalme, em Algueirão, onde habitam há dez anos cerca de 40 agregados familiares realojados pela Câmara da Amadora e devidamente acompanhados pelos nossos serviços técnicos através de um gabinete de atendimento no local", pode ler-se no comunicado. Advertindo que os fogos foram adquiridos "no mercado livre, através de imobiliárias e da banca", a Câmara da Amadora esclarece que apenas está empenhada "em ajudar as suas famílias a encontrar condições dignas de habitação, promovendo a sua inclusão sem qualquer estigma". Numa resposta directa às críticas de autarcas de Sintra, o município vizinho esclarece que, num princípio de "igualdade de oportunidades", está empenhada ainda "em apoiar todos os que residem, trabalham ou estudam no seu território" e cita o exemplo da Escola Seomara Costa Primo que, num universo de 1381 alunos, acolhe 700 jovens oriundos de Sintra, "recebendo desta autarquia (Amadora) o mesmo tratamento e apoio que qualquer outro aluno, independentemente da sua origem". O comunicado do município da Amadora corrige, ainda, os números avançados por Marco Almeida, sobre a existência de 2300 famílias a viverem em barracas, dando nota que existem "apenas 1544 famílias por realojar", 23,14% dos agregados recenseados em 1993 no âmbito do Programa Especial de Realojamento. "Desde então, esta autarquia já resolveu o problema de 5127 famílias não só através do simples realojamento, mas também através do PER-Famílias (413), do Programa de Apoio ao Auto-Realojamento (422) e do Programa Retorno (44)", revela o município da Amadora. Recorde-se que o assunto foi aflorado em recente sessão da Assembleia Municipal de Sintra, com Marco Almeida a acusar a Câmara da Amadora de "agir de má-fé e em forma de emboscada, com uma acção terrorista junto do concelho de Sintra", numa posição convergente com as críticas enunciadas por Fátima Campos, presidente da Junta de Monte Abraão, uma das freguesias onde foram adquiridos dois fogos. A polémica voltou à baila em sessão camarária, com a bancada socialista a partilhar dos reparos à atitude da autarquia vizinha. "O município de Sintra está disponível para receber todos, mas não está disponível para servir de ponto de refugiados ou de exílio de municípios vizinhos", sublinhou a eleita socialista Ana Queiroz do Vale.

SINTRA - Utentes sem médico de família já são 135 mil

Ver edição completa Comissão de Utentes do Concelho de Sintra revela que faltam 74 profissionais de saúde O número de utentes sem médico de família continua a crescer e, segundo o último levantamento efectuado junto dos agrupamentos de centros de saúde, já atinge 135 mil pessoas. Os dados foram revelados pela Comissão de Utentes da Saúde do Concelho de Sintra (CUSCS) que, no passado domingo, promoveu uma tribuna pública em Queluz, no Parque Urbano Felício Loureiro, sob o lema "A Saúde em Sintra, Um Direito de Todos, Uma Exigência Imediata". Além da tribuna pública, a iniciativa contou com a realização de rastreios gratuitos, através da colaboração da Farmácia Baião Santos e da Policlínica de Monte Abraão. Ainda e sempre com a exigência da construção de um hospital público no concelho, dada a sobrecarga populacional sobre o Hospital Fernando da Fonseca, os responsáveis da CUSCS não esquecem a grave situação dos cuidados primários de saúde. Se em 2008 havia 124 mil utentes sem médico de família, os números mais recentes são ainda mais gravosos para a população. Num total de 433 mil inscritos, 134 585 não dispõem de médico, com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Algueirão-Rio de Mouro no topo (70 778 utentes sem médico), seguido do ACES Cacém-Queluz (44 920) e do ACES Sintra-Mafra (18 887). Perante estes números. é possível concluir que faltam 74 médicos de família nos centros de saúde do concelho, que dispõem de 164 profissionais e uma média de 1820 utentes por cada médico. Lacunas que preocupam a CUSCS, como reconhece António Carrasco, que exige uma resposta imediata por parte do Ministério da Saúde para pôr cobro a este drama. "É indispensável modificar esta gravíssima situação do concelho de Sintra em termos de défice de médicos de família", sublinha o responsável da CUSCS, que acusa o Ministério da Saúde de "autismo político". As reivindicações dos utentes do concelho de Sintra são remetidas ao ministério, "mas não há qualquer resposta". Quanto às garantias de que a situação tende a melhorar com o funcionamento das unidades de saúde familiar, como as que existem em Massamá, Mira Sintra ou São Marcos, António Carrasco contrapõe que essas unidades foram apetrechadas de médicos à custa dos tradicionais centros de saúde, ou seja, "a manta é curta: quando se tapa de um lado, vai-se destapar do outro". Após o Verão, a CUSCS vai continuar com a realização de "iniciativas de debate e de discussão dos problemas da saúde em todas as freguesias", no sentido de reforçar ainda a exigência da construção de equipamentos em Queluz, Belas, Agualva, Rinchoa/Fitares, Tapada das Mercês e Almargem do Bispo. Durante essas iniciativas, será promovida a recolha de assinaturas para "a exigência de um calendário objectivo, directo e claro, por parte do Governo e da Administração Regional de Saúde, para a construção de um hospital público no concelho de Sintra, com 350 camas e dotado de todas as valências que permitam dar resposta às carências em termos de cuidados de saúde". "Não podemos continuar a ser indolentes, a fazer de conta que este é um problema que se resolverá em seu tempo", sublinha António Carrasco, que sublinha a premência da unidade hospitalar até pelo envelhecimento da população e consequente agravamento do estado de saúde. Para a CUSCS, a saúde não pode ser olhada como um custo, mas como um factor de investimento no desenvolvimento do país. "Imagine-se a melhoria, por exemplo, ao nível da produtividade, quando as pessoas não tiverem de esperar 12 horas por uma consulta de urgência num hospital. 12 horas são 12 horas de trabalho que se perdem", acentuou ainda António Carrasco.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Parque infantil espera baloiços

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Investimento de 22 mil euros no Jardim Municipal de Paço de Arcos Um parque infantil sem baloiços é como um jardim sem flores... Pelo menos, terá sido isso que sentiu o presidente da Câmara, no passado domingo, aquando da inauguração do novo local de brincadeiras no Jardim Municipal de Paço de Arcos. “O meu imaginário de criança está ligado aos baloiços, acho que faz falta aqui um equipamento desse género”, admitiu Isaltino Morais, corroborando, aliás, as opiniões de alguns populares que comentavam entre si as grandes dimensões do recinto e os, comparativamente, poucos equipamentos de diversão instalados. O reparo foi justificado pelo presidente da Junta de Freguesia de Paço de Arcos, Nuno Campilho, que salientou ter dado seguimento a um projecto proveniente da Câmara, apesar de a intervenção ter sido feita no âmbito do protocolo de delegação de competências da Câmara para as juntas de freguesia. “Penso que seja a primeira freguesia a assegurar uma obra destas, mas a verdade é que não temos projectistas”, disse o autarca, adiantando que também deu conta da ausência de baloiços. Agora, compromete-se, o desejado equipamento deverá estar no local e apto para ser utilizado pelas crianças “até ao final de Julho”. Mas Isaltino não ficaria por esta constatação. Notou que ao bebedouro faltava pressão – o que não deixou de ser paradoxal tendo em conta que Nuno Campilho é, também, administrador dos SMAS de Oeiras e Amadora – tendo sido prometida injecção de força ao fontanário. Finalmente, à saída do parque, o presidente daria conta de um risco de segurança, motivado por um relevo com desnível abrupto no caminho de acesso. “Isto pode ser um problema para avós e netos, tem que se prolongar a rampa até fora da zona de entrada do recinto para precaver o perigo de um entorse ou uma queda”, especificou Isaltino. Cuidados dignos de um fiscal da ASAE, dir-se-ia... Recorde-se que depois de a ASAE haver fiscalizado um punhado de parques infantis camarários, a autarquia decidiu encerrar as cerca de 80 estruturas precavendo eventuais coimas. “Infelizmente, essa autoridade agiu sem qualquer atitude pedagógica prévia”, recordou a propósito o edil, ressalvando que “alguns deles, nós já estávamos a pensar o seu encerramento”. Entretanto, já reabriram quase 30 parques infantis. Mas o fecho foi aproveitado para reformular a distribuição geográfica dos mesmos, o que poderá levar ao encerramento definitivo de alguns. “Serão avaliados consoante o seu uso e a sua dimensão, pois poderá não se justificar ter um pequeno parque perto de um grande”, explicou o presidente da Câmara.

SATUO - Isaltino reitera viabilidade

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Oposição questiona futuro perante prejuízos de 17 milhões O SATUO não pára... de acumular prejuízos. São já 17 milhões de euros desde a sua inauguração, em 2004. O relatório de contas de 2009, discutido em Assembleia Municipal recentemente, indica que o Sistema Automático de Transporte Urbano, do qual a Câmara de Oeiras é a principal accionista, aumentou, só no ano transacto, o balanço negativo em mais 3,3 milhões de euros, para uma receita de apenas 293 mil euros. Um fardo pesado, mais ainda numa altura em que os cofres da autarquia andam em ritmo semelhante ao do próprio SATUO, que tem muitas e boas intenções, mas poucos passageiros lá dentro para sustentar os objectivos... No entanto, aquele que foi o grande impulsionador do sistema eléctrico não desarma e mostra-se confiante de que o mesmo chegará a bom porto: “É um projecto ecológico e de mobilidade fundamental para a qualidade de vida das populações”, reiterou ao JR Isaltino Morais, destacando os “milhares de carros retirados das estradas”. O problema "foi que, no período em que eu não estive na Câmara, a autarquia não fez a candidatura que deveria ter efectuado ao Fundo de Coesão e Transportes da UE”. O edil frisa, contudo, que há uma janela de oportunidade a abrir-se para desbloquear a situação. “Com os reajustamentos em curso ao nível de fundos europeus, vamos apresentar, já em Setembro, uma candidatura de financiamento patrocinada pela Câmara”, revela Isaltino Morais. Perseverança em defesa do interesse público, dizem uns; teimosia prejudicial para o erário público, lamentam outros. As posições estão extremadas quanto ao futuro de um projecto que há muito já deveria ter crescido até aos cerca de 2,5 km de extensão e chegado ao Lagoas Park. Não passa, ainda, dos 1,2 km que distam entre o cais de embarque dos Navegantes (junto à estação de comboios de Paço de Arcos) e o terminal “forçado” no Fórum (acesso ao Centro Comercial Oeiras Parque e ao Parque dos Poetas), passando pela estação intermédia da Tapada. Em fase posterior, o objectivo é chegar ao Cacém, na Linha de Sintra, passando pelo TagusPark. “Aí é que se verá, à evidência, os benefícios do SATUO em todo o seu potencial”, garante Isaltino. Para os deputados municipais da oposição, porém, o peso do presente fala mais alto. Para já, todos querem respostas: quem paga o prejuízo do SATUO? Porque é que a autarquia não tem liquidado a sua percentagem dos prejuízos (cerca de 8,5milhões de euros)? E que viabilidade terá a execução do que falta no plano de expansão? Os deputados da CDU defenderam mesmo que o SATUO seja desactivado, o que seria “um acto de inteligência da Câmara”, enquanto o Bloco de Esquerda propôs que “fosse vendido a um euro”. Na referida reunião da Assembleia Municipal, o vice-presidente da Câmara, Paulo Vistas, admitiu “partilhar” das mesmas preocupações. Quanto ao pagamento da dívida, “o entendimento da Câmara [do acordo assinado entre os dois accionistas] é que nesta 1.ª fase do projecto, o município não tem de entrar com investimento”, já que o mesmo acordo refere que “a Teixeira Duarte assegura o investimento e o prejuízo até ao Lagoas Park”. A partir daí será a Câmara [que detém 51% do capital] a assumir tais funções, “mas o prejuízo que vem de trás não conta”, clarificou Paulo Vistas, rematando que “não há nenhum interesse em que o SATUO se mantenha assim”, pelo que se “a Teixeira Duarte entender parar o transporte a Câmara de Oeiras não tem nada a opor”. Adiantou, ainda, que, após uma reunião entre os parceiros e o secretário de Estado dos Transportes, Carlos Fonseca, “o Governo garantiu reunir todos os esforços para encontrar um financiamento público para a 2.ª fase”.

DE ALMADA A CACILHAS - Flexibus já começou a circular

Ver edição completa Exemplo de serviço público na zona antiga da cidade Dois Flexibus começaram esta segunda-feira a percorrer as ruas das áreas antigas das freguesias de Almada e Cacilhas e, até dia 31 deste mês, durante o período experimental, a sua utilização é gratuita. Depois as viagens são a 59 cêntimos para seniores a partir dos 65 anos e jovens até aos 21 anos.Os restantes utentes vão pagar 1 euro. Quem já experimentou gostou e até ficou surpreso por apanhar um transporte em ruas inesperadas de Almada. Às 15 horas o primeiro Flexibus arrancou do Parque de Estacionamento da Avenida Afonso Henriques com dois motoristas ainda vestidos informalmente. “As pessoas olham curiosas mas ainda não mandam parar”, refere um deles. Uma possível resposta viria mais tarde de Ana, uma das primeiras passageiras do Flexibus. A jovem, acompanhada de Raul, mandou parar o pequeno autocarro na Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. “Queremos ir para o Forte (em Almada Velha) e em vez de subirmos até lá, resolvemos experimentar este transporte”, diz Raul. Os dois jovens souberam do Flexibus pelo jornal, mas para Ana “ainda falta informação” e assim que entrou quis saber percursos e preços. “Óptimo” comenta a jovem, “é barato, quase irreal”. O vereador Rui Jorge Martins, que acompanhou o Jornal da Região nesta primeira viagem, sorri. Momentos antes, o vereador responsável pela Empresa Municipal de Estacionamento e Circulação de Almada explicava que o Flexibus “não foi propriamente pensado como transporte turístico”, mas tendo em conta o percurso e o preço do bilhete, “pode justificar esse uso”. O certo é que o Sistema de Mobilidade Inclusiva foi criado essencialmente para responder às necessidades de deslocação de pessoas idosas, por isso o seu percurso foi desenhado para passar junto a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Pelo meio foi aproveitada a passagem pelo mercado de Almada e escolas. E porque a cidade ganhou outra mobilidade, passa também junto a parques de estacionamento. “A cidade foi reabilitada com o metro e outras intervenções em curso. O Flexibus faz parte deste processo de desenvolvimento”, refere Rui Jorge Martins. Mas o vereador deixa bem patente que este transporte patrocinado pela autarquia “é uma resposta social” pelo que “não é concorrente ao serviço de transportes públicos da TST”. Aliás, garante mesmo que vai continuar a “pressionar” a transportadora para que “cubra as zonas mais carenciadas de transportes”. “O transporte público não pode ser visto apenas na lógica do lucro e esquecer o seu carácter de serviço público”, acrescenta. O Flexibus está noutro patamar,para além do baixo preço, outra das suas particularidades é parar onde as pessoas quiserem, isto apesar de existirem cerca de vinte pontos de encontro. E mandar parar o pequeno autocarro foi o que fez Manuel Grade, na Rua Capitão Leitão. O primeiro utente do Flexibus conta que pensou estarem a brincar com ele quando lhe disseram para mandar parar o autocarro, mas fez sinal e o motorista parou. Desta vez o já menos jovem Manuel Grade queria ir para a Praça Gil Vicente, e foi de Flexibus. “Nunca pensei ter transportes em Almada Velha”, refere. Ainda por cima com bilhetes que “não são caros para os idosos” e depois, “quanto mais transportes existirem na cidade melhor”. Grade vai olhando pela janela como se as ruas antigas tivessem ficado diferentes e quer confirmar se o pequeno autocarro é eléctrico. “Funciona com baterias”, explica o vereador. Por isso, faz menos ruído e é ausente de emissões locais de poluentes. Quanto às baterias, são mudadas no parque de estacionamento da Avenida Afonso Henriques. E entretanto estamos na Praça Gil Vicente junto à paragem do metro. O primeiro passageiro do Flexibus sai e confirma com Rui Jorge Martins: “Este autocarro passa nas ruas que têm um traço verde pintado?”; “Sim”, responde o vereador.

ALMADA - Lojas vítimas de vandalismo

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Montras e paredes pinchadas no centro de Almada Maus ‘graffiti’ e ‘tags’ “assaltaram” há cerca de quinze dias várias lojas da Rua Luís de Queiroz. O caso foi apresentado pela JSD na última Assembleia Municipal, daí surgindo também um apontar o dedo aos murais políticos do PCP que têm surgido na cidade. “Isto é uma cidade sem regras”, afirmava na altura o militante da juventude laranja, André Salvado. Mas para a presidente da Câmara de Almada as duas situações não podem ser misturadas. Embora concorde deverem existir regras para a pintura de murais políticos, Maria Emília de Sousa lembrou que a própria Assembleia Municipal “aprovou que não é possível censurar propaganda política”. Quanto aos ‘graffiti’, lembrou que “muitos deles são expressões artísticas e autorizados”, aliás, a própria autarquia desenvolve concursos sobre esta arte urbana em espaços autorizados para tal. O grande problema são os ‘tags’. “Proliferam por toda a parte e desqualificam as cidades”, afirma. E foi uma onda de ‘tags’, ou maus ‘graffiti’, que atacou durante a noite de sábado para domingo naquela artéria no centro da cidade. “Só as lojas com grades nas montras não foram vandalizadas”, firma a funcionária de uma das lojas cuja montra ficou em pior estado. E esta não foi a primeira vez que a “A Livraria” foi alvo dos ‘tags’. “Já aconteceu muitas vezes”, diz Cristina Torres. Desta vez “nem a caixa Multibanco” de uma das instituições bancárias situadas nesta artéria “escapou”. Curiosamente os proprietários das lojas não têm apresentado queixa na PSP sobre estes casos de vandalismo. “Vamos apresentar queixa contra quem? Não sabemos quem foi”, comenta Cristina Torres. E de facto a PSP de Almada recebeu “zero queixas” sobre estes casos, afirma a comandante da Divisão da PSP de Almada. Para a subcomissária Sofia Gordinho é de facto “estranho” os comerciantes não darem conhecimento destes casos à PSP, inclusivamente através do policiamento de proximidade. Quanto ao facto de alegarem não saberem de quem participar, a comandante garante que “vale sempre a pena apresentar queixa”, é que se não houver denúncia fica mais difícil o trabalho da polícia. “Por vezes só temos legitimidade para intervir se houver denúncia”, acrescenta a subcomissária. Não ficar parado e, neste caso, limitar-se a limpar os vidros, é também o que aconselha o Governo Civil de Setúbal. “Os comerciantes cujos estabelecimentos são afectados devem apresentar queixa, individualmente, à PSP porque o prejuízo causado pode constituir um crime”. Mas para isso “é necessário que haja queixa por parte do prejudicado”. Entretanto a Delegação de Almada da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal já está a par destes ataques com ‘tags’ e, embora o presidente Gonçalo Paulino refira que estes “não são muito frequentes”, afirma estar “preocupado”. Por isso, a delegação já deu conhecimento à sede da associação em Setúbal para que seja “reivindicada mais segurança para o comércio”. É que “este não é um problema só de Almada”, acrescenta.