quinta-feira, 17 de junho de 2010

SANTO AMARO DE OEIRAS - Mais de 200 saltos no areal

Ver edição completa Prova da Taça de Portugal em Precisão de Aterragem Neste fim-de-semana, na praia de Santo Amaro, vai chover... muita emoção. Vindos do céu, as melhores equipas nacionais em Precisão de Aterragem vão mostrar um espectáculo inédito nos areais de Oeiras: de uma altura de 1100 metros, cinco pára-quedistas de cada vez saltam de um helicóptero e, um a um, tentam aterrar o mais próximo possível de um alvo colocado na areia que mede 3 cm de diâmetro e em redor do qual vários raios concêntricos vão dando pontos até 15, afundando-se o atleta na classificação quanto mais longe aterrar da minúscula rodela central (que vale 0). “Se podem ir parar ao mar? Poder até podem, com o calor que está dá vontade”, diz, em tom de brincadeira, Luís Dias, vice-presidente da Associação de Pára-quedistas Tejo Norte, responsável pela organização da 2.ª Prova da Taça de Portugal e I Torneio “Vila de Oeiras”. A competição incluirá 200 saltos nos dois dias, intercalados por viagens de helicóptero oferecidas a quem se inscrever durante o evento. A espectacularidade da competição e a possibilidade, rara, de a assistência poder apreciar a olho nu a evolução dos pára-quedistas desde o voo até à aterragem – a poucos metros dos veraneantes – deverá levar muitos milhares de pessoas àquela zona balnear. “Estamos a trazer esta modalidade para o meio do público porque a associação existe há cerca de um ano equeremos dinamizá-la mais, tal como à própria modalidade e ao pára-quedismo em geral”, explicou Luís Dias, tenente-coronel pára-quedista na reserva, adiantando que “o caminho fica desbravado para que esta possa ser uma competição internacional já na edição do próximo ano”. Condimentos não faltam para que a jornada permita, de facto, ser um salto em frente na divulgação do pára-quedismo, seja em Precisão de Aterragem, seja nas outras vertentes (sendo que, de todas as existentes, só a de voo de formação tem, também, competições em Portugal). No entanto, a Precisão de Aterragem é a variante com mais potencialidades para ter assistência de público, por se desenrolar a baixa altitude. Por isso, aqui ficam algumas dicas, fornecidas por quem sabe, para que os leitores melhor possam apreciar a evolução dos pára-quedistas no céu azul. É que saltar todos saltam – basta saírem do avião em andamento e a gravidade encarrega-se do resto – mas voar, isso é outra coisa. “Nestas provas, a equipa tem de fazer trabalho que se chama, na gíria, cheirar o vento, ou seja, o atleta sai do helicóptero e, para além de fazer escalonamento da equipa para chegar um de cada vez, tem de estudar as condições de vento para que se possa conduzir de forma a chegar ao alvo nas condições em que pretende: vai pôr o pára-quedas a voar contra o vento para perceber como ele se comporta, se está a andar para a frente ou para trás, se está a andar muito ou pouco...”, explica Luís Dias. O pára-quedas usado nestas competições “está fabricado para poder fazer precisão pura de ‘0000’ no centro do alvo”, mas esta é uma marca que em Portugal não é fácil de ser atingida, ao contrário do que se passa nas competições de outros países. A diferença está nos apoios a uma modalidade que exige uma certa disponibilidade de tempo e, sobretudo, de dinheiro. “Temos um forte apoio da Câmara de Oeiras e, ainda, da Federação de Pára-quedismo. Mas falta mais atenção por parte da comunicação social e das empresas, que ainda não perceberam bem as potencialidades publicitárias”, salienta o vice-presidente da Associação de Pára-quedistas Tejo Norte, cuja sede, cedida pela autarquia, está instalada no Alto da Loba. “Estamos com grande dinamismo, incluindo na componente social, em que fazemos apoio a escuteiros, nas escolas, na área da orientação e cursos de segurança, por exemplo, mas vamos também começar a fazer cursos de tiro, corrida e natação, escalada, rappel, slide...”. Pena é que “muitos reformados, para quem o pára-quedismo podia ser interessante, acabam por se acomodar e deixam todo o trabalho e prazer para os carolas”. No sábado, os saltos que vão animar a praia de Santo Amaro começam às 10h00 e prolongam-se até às 18h00, intercalados com passeios de helicóptero. No domingo, as emoções começam às 09h00 e, às 15h00 decorre a cerimónia de encerramento e a entrega de prémios. Participam o Aeroclube de Évora, os Falcões Negros (Exército Português), a Associação de Pára-quedistas de Setúbal, o Sky Fun Center (Proença-a-Nova), a Associação de Pára-quedistas do Sul, além da Associação de Pára-quedistas Tejo Norte.

PARQUE URBANO DE QUEIJAS - Vegetação esconde perigos

Ver edição completa Declive acentuado ameaça segurança física de utentes Apesar do seu ar recatado, o Parque Urbano de Queijas, inaugurado há cerca de um ano, encerra um perigo para a segurança física dos utentes mais incautos, além de várias incongruências e alguma má conservação das espécies vegetais. Começando pelo mais grave, o respectivo campo de jogos foi instalado tão perto de uma ribanceira de acentuado declive que, não raramente, as bolas vão parar ao fundo do precipício. Para quem se atreva a descer, os perigos são evidentes. Tanto assim é que, recentemente, o JR encontrou um jovem a arriscar a manobra, mas com técnicas e apetrechos de escalada. “Já não é a primeira vez que lá vou e fico sempre a rezar para que nenhum miúdo se lembre de tentar vir cá baixo buscar uma bola ou um telemóvel que caia, é um perigo enorme!”, alertou Miguel Santos, escoteiro e estudante da Escola Noronha Feio, enquanto armava o arnês e prendia as cordas num depósito de cimento. No final da façanha, porém, o resultado foi nulo: “Encontrei máquinas de lavar, ferros e bidões, mas nenhuma bola”, resumiu. Constituindo uma barreira natural contra a aproximação de algum incauto cidadão à beira do precipício, há uma longa fila de cactos muito secos e com extremidades pontiagudas. No entanto, para além de não existirem precisamente no “caminho” improvisado acima referido, aquela vegetação densa e alta apresenta dois inconvenientes: por um lado, deixa em sobressalto os adultos que acompanham os mais pequenos nas caminhadas pelo passeio que passa mesmo rente aos cactos, devido ao risco de se picarem; por outro, em certos troços, tapa as vistas de quem se senta nos bancos ali disponibilizados para permitir usufruir da vista magnífica para o vale. Finalmente, há mesas e cadeiras que estão sem pinga de sombra, enquanto boa parte das espécies ali plantadas parecem passar demasiado tempo sem pinga de água. A Junta de Freguesia de Queijas reconhece o problema, mas para já apenas se compromete com um desbaste parcial dos cactos, durante a próxima semana. “Mas temos de deixar o suficiente para impedir que as crianças se aproximem do declive”, sublinhou ao JR José Rodrigues, responsável no executivo pelos Espaços Verdes. Para mais tarde ficará a possibilidade de colocar uma vedação que complemente os troncos de madeira separados entre si hoje existentes. Mas quanto ao caminho perigoso já usado para ir buscar bolas, não existe, para já, uma solução concreta. “Vamos analisar a situação com a Câmara... de facto, o campo não está no melhor sítio”, reconheceu aquele elemento da Junta. Entretanto, o acesso ao campo de jogos do Parque Urbano tem já um regulamento aprovado, o qual deverá fazer com que o acesso ao equipamento desportivo volte a estar – como esteve em tempos – com acesso condicionado.

Férias mais baratas nas Caraíbas do que 'cá dentro'

Ver edição completa Pacotes das agências de viagens desincentivam portugueses a seguir conselho de Cavaco Silva Fazer férias “cá dentro”, como o Presidente da República pediu, pode ajudar a economia nacional, mas em alguns casos sai mais caro ao bolso dos portugueses, constatou a Lusa na pesquisa de pacotes de férias em várias agências de viagens. Uma semana de férias no Algarve, o destino nacional de eleição dos portugueses, num hotel de cinco estrelas, custa a um casal mais de 1500 euros em regime de alojamento e pequeno-almoço (APA), mas se optar por uma viagem até às Caraíbas consegue viajar com tudo incluído por 2000 euros. Por mais 500 euros, um casal pode viajar até às águas quentes da República Dominicana (Punta Cana), México (Riviera Maya) ou Venezuela (Ilha Margarita) e passar sete noites (nove dias) num hotel de cinco estrelas com todas as despesas de alimentação e de transportes incluídas. Se se considerar as despesas das refeições de sete dias e a deslocação para as praias do Algarve, será difícil competir com os pacotes de praia e de sol mais distantes. As ilhas dos Açores e a Madeira constituem a maioria das propostas de turismo interno disponibilizada on-line pelas agências de viagem para os meses de Julho e Agosto, sendo que o pacote de sete noites mais económico que a Lusa encontrou para cada um dos destinos em hotel de quatro estrelas custa por pessoa 450 e 600 respectivamente, em regime de alojamento e pequeno-almoço. As ilhas portuguesas concorrem com as espanholas e, à data da pesquisa, as principais promoções disponibilizadas para Palma de Maiorca com a viagem e sete noites de alojamento em hotel de quatro estrelas, em regime de meia pensão, custam cerca de 700 euros por pessoa, mais 150 do que os Açores e 100 do que a Madeira, mas já com sete refeições incluídas. A par com a proximidade, as ilhas do país vizinho têm a vantagem de beneficiar de várias ligações aéreas ‘low cost’ a partir dos principais aeroportos portugueses, que permitem aos turistas viajar a baixo custo e obter preços bastante competitivos no alojamento, que, de acordo com o Hotel Price Index Hotéis.com, sofreram uma quebra de 23 por cento no quarto trimestre de 2009 face ao ano anterior. O Presidente da República manifestou-se no passado sábado preocupado com a “grave” situação económica de Portugal, e apelou aos portugueses para que façam férias "cá dentro", para ajudar a inverter e ultrapassar a difícil situação em que o país se encontra. "Neste tempo difícil que atravessamos, os portugueses devem fazer turismo no seu próprio país, pois é uma ajuda preciosa para ultrapassar a situação difícil em que o país se encontra", defendeu então Cavaco Silva. De acordo com as contas feitas esta semana pelo Jornal de Negócios, os estrangeiros deixam em Portugal 2,5 vezes mais dinheiro do que os portugueses que fazem férias lá fora. Segundo os dados do Banco de Portugal, em 2009, os turistas estrangeiros gastaram 6918 milhões de euros com viagens e turismo a Portugal face aos 2712 milhões de euros gastos o ano passado pelos portugueses em viagens e turismo ao exterior.

ALMADA - Tempo de festas populares

Ver edição completa Marchas, arraiais, espectáculos, a Festa Amarela e muita animação nas ruas de Almada Junho é mês de festa em Almada e este ano, mesmo em período de crise, os almadenses vão ter muitas oportunidades para se divertirem. “Houve um ainda maior rigor na gestão orçamental, mas não poderíamos deixar de proporcionar à população as suas festas da cidade”, comenta o vereador António Matos, que elege as marchas populares e Festa Amarela como dois dos momentos altos deste mês de São João. Nas esplanadas e arraiais já cheira a sardinha assada e caracóis e ontem, dia 16, o centro da cidade alegrou-se com a Marcha das Escolas e instituições de infância. Cerca de 1200 participantes, entre alunos e profissionais do ensino, representando 15 escolas do concelho, desfilaram em homenagem às marchas populares e tradições.E nem o Centenário da República Portuguesa foi esquecido. Foi o abrir do apetite para as Marchas Populares das colectividades e instituições particulares de solidariedade social que vão desfilar na noite de 23 de Junho na Avenida Aliança Povo MFA, em Cacilhas. A final está marcada para 2 e 3 de Julho no Complexo Municipal dos Desportos. “Este ano vamos ter mais marchas”, afirma António Matos. A noite termina com fogo-de- artifício. Mas as festas começam a aquecer já este sábado. Dia 19 a Casa Municipal da Juventude – Centro Cultural Juvenil de Santo Amaro, no Laranjeiro, recebe a 10.ª edição da Festa Amarela. Uma iniciativa que conta com um forte envolvimento do movimento comunitário, das associações e dos jovens do concelho, que vai proporcionar momentos festivos de carácter popular, intercultural e de encontro de gerações, cujo formato de organização mereceu já a inscrição na Base Internacional de Dados das Cidades Educadoras. Ainda este sábado, as Burricadas estão de volta a Cacilhas, Almada e Cova da Piedade para relembrar a vida local no século XIX e meados do século passado. Está prometida muita animação e um grande piquenique no Parque da Cidade. À noite, no Complexo Municipal dos Desportos – Cidade de Almada, realiza-se o 3.º Festival Internacional de Folclore de Almada. Quem tiver fôlego pode acabar o resto da noite na Rua Capitão Leitão, até às duas da manhã, nas muitas esplanadas ou no baile junto aos Paços do Concelho. “A população de Almada encara a crise como muito trabalho, mas sabe que a diversão também é precisa”, acrescenta o vereador da Cultura António Matos que aponta ainda as muitas propostas culturais em vários lugares do concelho durante este período de festas. Por exemplo, também dia 19 começa a 10.ª edição da Festa no Solar; é no Solar dos Zagallos e são várias as propostas. Depois até 19 de Agosto pode ver a exposição integrada no 27.º Festival de Teatro de Almada, na Galeria do Pátio. Na Casa da Cerca pode ainda ver a mostra “Casa com Jardim” e no Jardim Botânico "Cores da Natureza Pigmentos e Corantes". Sábado, 26 de Junho, desafia também a levantar cedo. O Rally Cidade de Almada vai trazer um desfile de carros antigos com o objectivo de divulgar os ralis que se realizavam em Almada nos anos 50. Será ainda proporcionada uma exposição de clássicos. À noite, no Complexo Municipal dos Desportos realiza-se o 23.º Encontro de Cantares Alentejanos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Taça faz esquecer título perdido

Ver edição completa Cascais falha conquista do campeonato nacional, mas garante lugar na ‘final-four’ da Taça Ao vencer o Hóquei Clube de Turquel, por 5-4, no jogo dos quartos-de-final, o Dramático de Cascais qualificou-se para a ‘final-four’ da Taça de Portugal, de hóquei em patins. O Cascais abriu o activo no primeiro minuto, por Pedro Santos, mas viria a permitir aos visitantes a reviravolta rápida no marcador (1-2). Aos 10minutos, Tiago Monteiro volta a marcar para a turma da Linha, repondo a igualdade, que permaneceu até ao intervalo (2-2). A equipa de Hugo Gaidão entrou bem na segunda parte e marcou dois golos de rajada, por Tiago Monteiro e Carlos Trindade, adiantando-se, de novo, aos homens de Turquel (4-2). No entanto, a reacção dos forasteiros não se fez esperar e eis que surge um novo empate (4-4). A emoção crescia dentro e fora do recinto de jogo à medida que o tempo se ia esgotando, e foram os adeptos cascalenses a puderem festejar, a cinco minutos do fim, o golo da sua equipa, apontado por Carlos Trindade, um tento que viria a ser decisivo para a vitória do Cascais, por 5-4. Deste modo, o Dramático de Cascais garante presença na final-four’ da Taça de Portugal, a ter lugar já no próximo fim-de-semana, no pavilhão de Paço de Arcos. Quase a jogar em casa, a equipa de Hugo Gaidão vai defrontar o primo divisionário Física de Torres, tendo francas hipóteses de garantir um lugar na final, onde vai estar o vencedor do encontro entre o Benfica e o Braga.

Último adeus a Carlos Almeida

Ver edição completa Presidente da Junta da Parede Carlos Correia de Almeida, presidente da Junta de Freguesia da Parede desde 2005, faleceu no passado dia 8 de Junho. Paredense emérito, bancário reformado, Carlos Correia de Almeida liderava os destinos da Junta em prol de uma maior segurança para a população e por uma crescente requalificação dos espaços públicos. Vítima de “doença prolongada”, o seu estado de saúde, em poucos meses, degradou-se, falecendo há cerca de uma semana. António Capucho, presidente da Câmara de Cascais, sublinhou ao JR que “sem dificuldade se pode afirmar com toda a justiça que Carlos Correia de Almeida se distinguiu por aliar naturalmente as suas qualidades políticas e de gestor – reveladas enquanto presidente da Junta de Freguesia da Parede –, ao perfil pessoal que o caracterizava como ‘Homem Bom’ por todos reconhecido e admirado, fossem os amigos ou mesmo os adversários”. O edil reconhece que Carlos Correia de Almeida “deixa obra na freguesia da Parede, apesar de ter partido antes de se concretizarem muitas das ambições a que justamente almejava e que estão projectadas em articulação com a Câmara Municipal. Nas funções que desempenhou, soube estabelecer correctas ligações com os serviços e os responsáveis políticos e técnicos do município e assim melhor defender os interesses da sua freguesia. Mas soube também, de uma forma muito activa e eficaz, manter uma relação profícua com a sociedade civil em geral e as instituições que a representam, em particular”. “Aquilo que mais me cumpre salientar, numa época de crise dos valores éticos e morais, são as qualidades pessoais e humanas de Carlos Correia de Almeida. Pessoa de grande integridade moral, aliava um comportamento impoluto a uma desvanecedora simpatia pessoal”, reforça o autarca. Expressando o sentido pesar e as condolências à sua esposa e filha, António Capucho adiantou que vai conferir a Carlos Correia de Almeida “a título póstumo e em reconhecimento pelos serviços relevantes prestados à Freguesia da Parede, a cuja Junta de Freguesia presidiu com elevada competência, a mais elevada distinção da autarquia a cuja Câmara presido, ou seja, a Medalha de Honra do Município de Cascais”. Na Junta de Freguesia da Parede, a vogal Maria Odete Abrantes também prestou tributo público ao ex-presidente: “Tendo sempre presente a noção exacta das limitações, especialmente por causas legais e falta de recursos técnicos e financeiros, o presidente Correia de Almeida sempre assumiu o compromisso de colocar toda a sua capacidade ao serviço do bem público desempenhando com empenho, dedicação e sentido de responsabilidade as funções para que foi eleito. A população de Parede agradece a sua dedicação”. A eleita acrescentou que “o executivo da Junta reafirma o compromisso de garantir a continuidade do seu trabalho”.

Casal de S. Brás - Paleta de cores e aromas em hortas de cariz popular

Ver edição completa Como modo de subsistência ou terapia ocupacional, há cada vez mais hortas na cidade Para muitos será um modo de subsistência em tempos de crise, para outros é importante como forma de ocupar o tempo livre. Ter uma horta no Casal de São Brás é tudo isso, mas acima de tudo quem trabalha aquelas terras fá-lo com paixão. A prova disso é o jardim que ali está a nascer. Os terrenos junto à Escola José Cardoso Pires, pertencentes à Câmara Municipal de Lisboa, estão a pouco e pouco a ser ocupados por plantas ornamentais. O baldio deu lugar a um terreno cultivado e ajardinado, com uma mistura de aromas e cores. Ali convivem roseiras, flores, árvores de fruto, legumes e ervas de cheiro. “Já lhe chamam o Jardim da Estrela”, refere Emistides Sousa, moradora em São Brás e uma das que se dedica àquela horta popular, referindo-se essencialmente às plantas ornamentais que compõem o espaço. Após a doença que a atirou para um reforma por invalidez, Emistides viu-se sozinha em casa durante o dia. Resolveu sair e questionar o seu vizinho, António Teixeira, que já tinha um pequeno espaço cultivado. Depois de uma vida dedicada ao ensino, mas impedida de exercer a profissão, Emistides não cruzou os braços e pôs mãos à obra. Ao lado do seu vizinho começou, também ela, por criar uma pequena horta, num espaço “que era só ervas daninhas e ratazanas”, adianta. “Isto foi uma espécie de terapia, ajudou-me muito na recuperação por causa dos movimentos”, acrescenta. Há sete anos que se dedica a uma pequena horta, seguindo apenas os princípios da agricultura biológica. Os dias são passados no campo, onde até as refeições “sabem melhor”. “Venho logo de manhã cedo e já cheguei a sair daqui por volta das 22 horas,quando os dias são grandes”. O marido, Alípio Carvalho, que ainda está no activo, dá aulas numa escola em Alfornelos, muitas vezes junta-se a ela para as refeições ou para partilhar trabalho no final do dia. Quem a quer ver feliz é ali mesmo, na sua horta. As roseiras e as árvores de fruto compõem a paisagem, que aos poucos está a ganhar cada vez mais adeptos. António Teixeira foi o primeiro a tratar a terra. Por causa da sua infância passada no campo, embora a vida profissional tenha sido ligada às artes gráficas, o gosto pelo cultivo da terra acabou por ser mais forte. Primeiro começou por plantar apenas ervas de cheiro, como a salsa, hortelã e coentros, depois ocupou um terreno com cerca de 16 metros quadrados e neste momento cultiva cerca de 140 metros quadrados. No seu espaço, as rosas são o que mais salta à vista, mas também tem feijão, tomate, cebolas, entre outros legumes. Mas neste jardim também há árvores de fruto como nespereiras, figueiras, cerejeiras, pereiras, macieiras, pitangueiras, entre muitas outras. Alida de Sousa nunca pensou em pegar numa enxada, apesar dos avós serem pessoas ligadas ao campo. Nunca imaginou que um dia lhes iria seguir os passos. Costumava passear no terreno baldio e sentar-se no topo a ler um livro, mas quando se apercebeu que os seus vizinhos tratavam a terra resolveu juntar-se a eles. Como cuida de crianças, diz que “a horta é uma boa terapia”. Mas para além dos benefícios proporcionados pelo tratamento da terra como ocupação dos tempos livres, há também mais-valias financeiras. “Poupa-se muito em compras de supermercado”, afirma Teresa Gomes, que se junta ao marido no final do dia para tratar do seu terreno. “É uma ajuda económica e um passatempo, mas acima de tudo sabemos o que estamos a comer”, acrescenta. Nas férias, funcionam como uma comunidade, as terras nunca ficam por regar. Há sempre alguém que as cuida. Mas esta horta tem espinhos. Os roubos, não os pontuais que levam apenas umas flores ou umas ervas de cheiro, mas daqueles que vêm para estragar. “É mais o que danificam do que o que levam e isso é que não é correcto”, afirma Alípio Carvalho. Para evitar os roubos e apropriações indevidas, os pequenos agricultores montaram redes que protegem o cultivo de mãos alheias. Do lado de fora ficam as roseiras. António Teixeira adianta que “sempre que me pedem eu dou, por isso prefiro que peçam porque assim não estragam”. Para isso, este morador já colocou do lado de fora da vedação uma pequena plantação com ervas de cheiro, onde qualquer pessoa pode apanhar e levar consigo.