quarta-feira, 16 de junho de 2010

Primeiro-ministro recebido em festa

Ver edição completa Líder do governo de Cabo Verde visita bairro 6 de Maio e Cova da Moura O primeiro-ministro de Cabo Verde foi recebido em estado de euforia pelos moradores do bairro da Cova da Moura, na Buraca, numa visita que teve lugar no domingo, dia 13. Ao som dos tambores e com alguns símbolos que fazem parte do Kola San Jon (festa tradicional de São João da ilha de Santo Antão, em Cabo Verde), José Maria Neves mal conseguiu sair do carro onde seguia, devido à quantidade de pessoas que o queriam saudar, para depois percorrer a pé as ruas do bairro, onde reside uma grande comunidade de cabo-verdianos. O primeiro-ministro de Cabo Verde escolheu a Amadora para assinalar o último dia de visita a Portugal. Depois de ter estado no o bairro 6 de Maio, na Damaia, seguiu para a Cova da Moura onde foi recebido pela comunidade com um almoço de cachupa, feijoada e sardinha assada. Mas antes, José Maria Neves foi espalhando cumprimentos pela população do bairro e foi sendo abordado por vários emigrantes, oriundos daquele arquipélago. Entre os beijos e abraços que foi distribuindo, o primeiro-ministro destacou a importância do conhecimento e do ensino “dos direitos e deveres” da comunidade cabo-verdiana residente fora do país, e salientou que “serem bons cidadãos é a melhor forma de ajudar no desenvolvimento de Cabo Verde”. Admitindo que muitos cabo-verdianos residentes em Portugal vivem em bairros degradados, afirmou que “o mais importante é a dignidade das pessoas, em termos de ambição de quererem ser mais na vida”. O chefe de governo reconheceu que “há ainda problemas de integração e habitação nestes bairros”. Mas a comunidade está “mais forte” e a prová-lo “basta ouvir a música a música, o brilho nos olhos, a alegria dos cabo-verdianos, mesmo em situações muito difíceis”, concluiu. Mas, se por onde passou José Maria Neves a euforia dominou os ânimos, houve outras ruas que permaneceram tranquilas.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Perfume de Sintra na Avenida

Ver edição completa Marcha de São João das Lampas encanta em Lisboa De muletas e vestido como a plebe no meio de cavalheiros e damas da mais fina fidalguia e realeza, o jovem Ricardo Jorge, de 15 anos, era o espelho do desalento por não poder desfilar na Avenida da Liberdade. Na verdade, coube-lhe o papel de Nani no seio da selecção de 48 marchantes que encantou no desfile das Marchas de Lisboa, na noite de sábado, representando a freguesia de São João das Lampas e todo o concelho através do tema “Sintra, Património Mundial”. “Teve mesmo muito azar, lesionou-se em vésperas do grande momento…”, lamentava-se o pai, José Domingos Jorge, de 45 anos, pouco antes do início da passagem, extra-concurso, por aquele afamado palco de emoções e tradições bairristas. Mas, tal como no Mundial de futebol, o espectáculo não pode parar. De pronto, um companheiro foi avisado para tomar o lugar do jovem que, com apenas dois anos, foi mascote da marcha de Fontanelas aquando da primeira (e quase única…) edição das marchas realizadas na Volta do Duche – antes de um longo interregno deste tipo de eventos. Ainda assim, para as Marchas de Lisboa 2010, o clã Jorge estava em peso e, mesmo sem Ricardo por lesão e para além do pai alinharam, ainda, a mãe, Sandra Jorge, e o Diogo Jorge, de 13 anos, que, por sinal, ainda estava no ventre da progenitora quando os marchantes ensaiados em Fontanelas por Palmira Pinto, recrutada a Carnide (ver caixa), venceram a 1.ª edição das marchas na vila de Sintra… Confusos? Não faz mal. O mais importante é perceber que as marchas são não só um património de tradições, mas também, e especialmente, de afectos que perduram e se cruzam no tempo. “Isto não se faz sem sacrifícios, mas o convívio e o resultado final compensam tudo”, sublinha José Domingos Jorge, do alto do seu fato de tecido vinil com cores de azulejo antigos, explicando a razão pela qual é um dos poucos homens que se dedicam a esta causa desde o dealbar das marchas em Sintra “há 18 anos”, quase sempre na companhia da mulher e filhos. “A malta mais nova é mais difícil de conquistar porque não tem este gosto arreigado como os mais velhos; por outro lado, isto é uma prisão duas vezes por semana, à noite, não se pode ir para o bar ou à discoteca”. De dificuldades sabe bem Madalena Simões, que preside à comissão organizadora. “Somos quatro ou cinco pessoas a tratar da burocracia toda, a procurar apoios, a coordenar tudo”, resume. “Isto é um bocadinho cansativo e na base da carolice porque não temos muitos apoios – temos a ajuda da Câmara, da Junta, da Sociedade Recreativa e Familiar e do Centro Social de São João das Lampas, mais alguns particulares, mas nada se faria sem as receitas dos almoços, das rifas, da feitura e venda de filhós…”, especifica. Além de que, “é difícil gerir” quase 50 pessoas. “Se uma pessoa falta um dia, ensaia-se de uma maneira, quando chega no outro dia já está tudo trocado”. Ainda assim, certo é que os marchantes de São João das Lampas andam a treinar, desde Março, não uma, mas duas marchas! Além da que foi à Avenida da Liberdade, há ainda uma outra, na linha das habituais marchas feitas pelo grupo. “Chama-se ‘Tradições Saloias’ e tem a ver com a quinta-feira da espiga, as vindimas, o S. Martinho, a ida a Janas (S. Mamede), uma aldeia onde se costumava ir no fim das colheitas, agradecer ou benzer o gado…”. Se a marcha “Sintra, Património Mundial” terminou a sua carreira em beleza, no coração de Lisboa – depois de ter sido exibida a nível local em 2009 – já a “Tradições Saloias” começa agora a mostrar-se ao público, dias 18, 19 (neste data também no Mucifal) e 23 em São João das Lampas, dia 20 em Odrinhas, 25 em São Pedro de Sintra, 28 em Fontanelas, e dia 29 na Assafora.

Nove escolas fecham portas

Ver edição completa Município avança com reordenamento da rede escolar ao nível do 1.º Ciclo No âmbito do reordenamento da rede escolar a nível nacional, que determina o encerramento de escolas com menos de 21 alunos, o concelho de Sintra vai assistir ao fecho de nove estabelecimentos de ensino do 1.º Ciclo. No entanto, dois casos resultam da construção de uma nova escola, a EB1/JI de Varge Mondar, e em algumas situações os equipamentos vão ser reconvertidos para jardins-de-infância. As escolas a encerrar são as EB1 de Albarraque 1, Albarraque 4, Alvarinhos, Fontanelas, Morelinho, Baratã, Anços, Venda Seca e Azóia. Embora considere que o número limite de 21 alunos não pode ser rígido, "mas enquadrado nas características de cada escola e no contexto de cada comunidade", o vereador da Educação, Marco Almeida, concorda com os princípios gerais da medida do Ministério da Educação. "Aquilo que se pretende, no fundo, é que todos os alunos tenham as mesmas oportunidades no processo de ensino/aprendizagem", sublinha o autarca, para quem esse desígnio só pode ser alcançado se "todos os alunos frequentarem escolas que ofereçam um conjunto de recursos que permitam complementar o processo pedagógico, como um centro de recursos, salas de apoio às actividades de enriquecimento curricular e espaços desportivos". O autarca salienta que "há escolas, muitas delas com origem no Plano Centenário, que não oferecem condições para se cumprir os objectivos pedagógicos". Após a resolução de Conselho de Ministros relativa aos critérios do reordenamento da rede escolar, aprovada no passado dia 1 de Junho, a Câmara de Sintra avaliou a situação, em articulação com os agrupamentos escolares, tendo chegado à decisão de encerrar nove escolas. "Mas, nem todos os estabelecimentos encerram porque, alguns deles, serão reconvertidos para jardins-de-infância e outros dirigidos para a rede de solidariedade, ao nível da IPSS, resolvendo problemas de instituições na área da deficiência ou da terceira idade", adverte o autarca, que enuncia, por outro lado, que a antiga EB1 de Arneiro dos Marinheiros (São João das Lampas) vai acolher uma sala de jardim-de-infância. Nos casos em que se verifica o encerramento, Marco Almeida enuncia que o município "vai garantir os transportes escolares", o que se vai traduzir, aliás, num acréscimo de 30 mil euros anuais nas contas municipais. O autarca refuta, assim, a tese de que, por trás destes encerramentos, está subjacente um objectivo economicista. E alega ainda que o município, nos últimos dois mandatos, tudo fez para criar condições para evitar o fecho de algumas escolas. "A Câmara de Sintra, ao longo destes últimos oito anos, apostou numa política de construção de refeitórios e espaços desportivos, em escolas mais pequenas, no sentido de fidelizar população escolar. Em muitas delas, não foi possível concretizar essa fidelização". "Não é admissível que alguns estabelecimentos estejam a funcionar com quatro anos de escolaridade numa mesma turma", reforça Marco Almeida. Os investimentos em construção de refeitórios, por exemplo, não serão perdidos com a reconversão dos estabelecimentos para jardins-de-infância ou para a rede solidária. Mas, há casos de escolas que foram, antecipadamente, consideradas como casos perdidos." Há escolas onde nem sequer concretizámos essa qualificação, porque os dados que tínhamos, da evolução do número de alunos, fez com que a Câmara não investisse em refeitórios. A escola de Anços é um exemplo: tem uma turma, com quatro anos de escolaridade, e entendemos que não valia a pena fazer um refeitório". Sobre a contestação que possa ocorrer por via do encerramento de algumas das escolas, Marco Almeida reconhece "a legitimidade dos pais de questionarem se esta alteração vai ou não ao encontro dos objectivos para a escolaridade dos seus filhos". Mas, considera que os progenitores vão ter consciência de que "os seus filhos serão integrados em escolas cuja oferta educativa é melhor do que onde estavam". À excepção da nova escola de Varge Mondar (Rio de Mouro), que será inaugurada em Setembro (com quatro salas de JI e oito de 1.º Ciclo), os restantes estabelecimentos de acolhimento já integram a rede escolar do concelho. No caso da Azóia, os alunos serão transferidos para a EB1/JI de Almoçageme, que está a funcionar com carácter provisório num antigo centro de acolhimento de imigrantes, até à concretização da obra da nova escola de 1.º Ciclo na Sarrazola. O encerramento das escolas deverá ser abordado na próxima reunião da Assembleia Municipal de Sintra, agendada para o final da próxima semana, até porque o Bloco de Esquerda já questionou o município sobre esta situação. O BE/Sintra considera que esta medida "mais do que objectivos pedagógicos, visa reduzir custos de funcionamento".

sexta-feira, 11 de junho de 2010

‘Em tempos de crise, teremos que nos suplantar’

Ver edição completa Isaltino valoriza investimentos estratégicos
Mesmo em tempos de crise, “Oeiras não pode parar” e, embora seja preciso fazer “um reordenamento na escala das nossas prioridades”, o investimento nos projectos estratégicos em curso são para manter. A garantia foi deixada por Isaltino Morais, na passada segunda-feira, durante a sessão solene realizada no Auditório Eunice Muñoz para assinalar o Dia do Município, “Ontem como hoje, é em tempos de crise que teremos que nos suplantar, que ir para além de nós próprios, que garantir a liderança no futuro que nos aguarda”, salientou o edil, lembrando que Oeiras é “filha do terramoto de 1755”. Manter firmeza na linha de rumo foi a orientação expressa, na convicção de que, assim, Oeiras cria condições “para um novo e vibrante ciclo de desenvolvimento”. Incentivos não faltam, na perspectiva do autarca, que lembrou a política de habitação “que nos logrou almejar o título de primeiro concelho a erradicar as barracas em Portugal”, a política ambiental que “nos logrou exibir o título de cidade sustentável”, ou a estratégia de crescimento económico e empresarial “que nos logrou conquistar, há já dois anos consecutivos, o título de melhor concelho para trabalhar em Portugal”, entre outros prémios e distinções. Por isso, perante as incertezas, Isaltino citou Vinicius de Morais: “Eu só tenho pena de quem tem medo de viver”. Ainda assim, reconheceu que estes “são tempos que serão marcados, como reflexo da crise que varre o país, por uma diminuição considerável nas receitas do município”. O que obriga a “saber encontrar o que de essencial Oeiras não pode prescindir se quiser continuar a crescer e a liderar”, advertiu Isaltino, colocando nesse rol a conclusão do Parque dos Poetas e do Passeio Marítimo, do Centro de Congressos, das novas escolas e dos centros de saúde previstos, para além do apoio social. As comemorações do Dia do Município incluiram, ainda, o hastear das bandeiras, uma missa solene, a condecoração de mais de 30 personalidades e instituições com medalhas de mérito do município, e a inauguração da Galeria de Retratos dos presidentes de Câmara de Oeiras.

Futebol com valores

Ver edição completa Football by Carlos Queiroz continua a crescer
Portugal está prestes a começar a sua participação no Mundial da África do Sul e, a muitos quilómetros de distância, na Outurela (Carnaxide) os ensinamentos do técnico principal da Selecção Nacional continuam a inspirar centenas de miúdos a irem mais longe dentro e fora de campo. Neste momento, são 350 os rapazes e raparigas, entre os cinco e os 14 anos, que treinam afincadamente no Parque Desportivo com o nome do seleccionador, enquadrados pela Football By Carlos Queiroz,escola que desde o início das suas actividades, em Setembro de 2008, já levou “um futebol de qualidade” a cerca de 3500 miúdos. Um balanço altamente positivo, que tem surpreendido os próprios parceiros do Manchester United, garante Tiago Lopes, um dos três sócios da estrutura “inconformista” que quer mudar o panorama formativo do futebol em Portugal. Para isso, a academia pretende continuar a crescer. A partir de Setembro será criado um novo escalão, o dos juvenis, para prolongar os ensinamentos nos alunos por mais alguns anos; as acções de férias escolares irão estender-se a novos locais do país,incluindo Alentejo; o número de alunos de escolas municipais a visitar a academia deverá aumentar para o dobro; será posto em prática o já delineado programa de futebol para empresas; e, finalmente, a internacionalização da Football By vai ser uma realidade, para já junto dos países com ligações afectivas a Portugal, como Cabo Verde, Angola, Moçambique... Dribles sobre a crise e remates estratégicos certeiros que não esquecem o essencial: olhar o futebol como uma ferramenta útil dentro e fora das quatro linhas. Ou, como disse Carlos Queiroz aquando da apresentação do projecto há dois anos, usar o desporto-rei como meio para aprender a “jogar bem a própria vida”. A bola joga-se com os pés e com a cabeça. Além de esforço físico, é trabalho mental que depois se reflecte nos relvados e nas ruas. “Enquanto tivermos a bola na mão temos uma grande responsabilidade, pois é preciso ensinar que o futebol tem valores: atitude, comportamento, comunicação, disciplina, entusiasmo, ‘fair play’”, enumera Tiago Lopes, lembrando a ligação destes valores às componentes solidária e educativa. Na verdade, a Football By, no âmbito do protocolo com a Câmara de Oeiras, acolhe cerca de 50 crianças em regime de bolseiros. Miúdos provenientes de meios carenciados, mas que, muitas das vezes, surpreendem pela determinação com que agarram a oportunidade, como conta Hugo Pereira, um dos técnicos da academia: “São miúdos que nunca se atrasam, que na véspera vão para a cama a horas por sua própria iniciativa e já com o saco feito porque no dia seguinte há treino”. Tiago Lopes sublinha que a essa predisposição para o rigor, para o esforço, para a disciplina, ajuda muito o facto de todos perceberem “que são bem tratados, que têm ao seu dispor equipamentos e materiais de grande qualidade, técnicos excelentes e, portanto, percebem que devem retribuir com o seu empenho técnico e comportamental”. A diferença é que alguns dos miúdos, às vezes, queixam-se de dores na barriga, revelando casos de carências nutricionais que os responsáveis logo tratam de suprir... Tudo é feito em nome dos sonhos de cada miúdo, mas sem alimentar ilusões.Num país que respira futebol há o risco de o excesso de expectativas levar ao acumular de frustrações. Na Football By os cuidados a esse nível estão assegurados, garante Tiago Lopes, lembrando que “temos um rácio de um técnico por oito alunos, o que permite um acompanhamento próximo e atento”. E, ainda a este respeito, destaca: “Temos um público-alvo entre os 5 e os 14 anos e não faz sentido pensarmos que estamos aqui a formar os próximos Cristianos, Figos, nem queremos isso por si... Queremos que eles tenham acesso à ferramenta futebol para que se não tiverem que ser bons jogadores possam ser bons estudantes, bons pais, bons engenheiros, médicos...” E, independentemente de maior ou menor talento, todos têm competição na academia Carlos Queiroz. Uns participam numa liga interna que junta mais de 30 equipas (600 crianças), incluindo algumas vindas de outros pontos do país, enquanto um conjunto de 60 miúdos, repartidos em escolas, infantis e iniciados, participa em competições oficiais da Associação de Futebol de Lisboa. A diferença é que estes últimos têm maior carga horária e exercícios de maior complexidade. “Não tivemos um único aluno destas equipas mais competitivas que tenha desistido ao longo do ano, o que revela uma boa gestão das expectativas dos jovens, pois temos a preocupação de que todos tenham oportunidade de jogar”. Para terminar, voltamos ao princípio... E se Portugal sofrer um grave revés no Mundial da África do Sul? Uma questão delicada para quem ostenta o nome do seleccionador como bandeira... Ou talvez não. “Para já, não acredito que as coisas corram mal na África do Sul. Depois, os projectos são baseados numa filosofia, num plano estratégico e no trabalho que desenvolve esse plano. Não faz sentido interromper-se um ciclo, deixar de acreditar no futuro só porque surgiu uma barreira no caminho”. Concluindo, “o professor é a pessoa certa no lugar que ocupa”. Lá como cá. “Para ele é uma paixão estar aqui com os miúdos – e ele tem vindo cá várias vezes – e para nós é um grande orgulho tê-lo aqui connosco como presidente, imagem de marca e filosofia de trabalho”.

FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA - Programa à medida da crise

Ver edição completa Programação do Festival de Teatro de Almada inclui também colóquios e debates A 27.ª edição do Festival de Teatro de Almada apresenta este ano, de 4 a 18 de Julho, o leque mais alargado de sempre de produções e espectáculos e, pela primeira vez, pisa o palco na cidade do Porto. Ao todo, o público vai poder assistir a 30 produções – 14 estrangeiras e 16 portuguesas – e a 86 representações em 16 palcos. Também pela primeira vez serão apresentadas doze estreias. “Será um festival anticrise” diz Joaquim Benite. O director do Festival de Teatro de Almada contou este ano com um orçamento de 575 mil euros, mais 75 mil euros que em 2009, e admite que com esta verba “é um milagre” conseguir pôr em cena mais 44 espectáculos do que na edição anterior e, para além disso, estar em mais nove palcos. “Este é o resultado de uma economia de afectos”, classifica. Para este esforço contribuiu também o aumento do número de parcerias, uma delas com o Teatro Nacional de São João, no Porto. Mas com o festival estão agora também o São Luiz Teatro Municipal, Culturgest, Teatro Nacional D. Maria II, Instituto Franco-Português e Casa da América Latina. Nesta parceria continuam o Centro Cultural de Belém, Teatro Municipal Maria Matos, Teatro do Bairro Alto e a Escola D. António da Costa onde vai continuar o palco grande. O público vai poder ainda assistir a espectáculos no Teatro Municipal de Almada, Fórum Romeu Correia e Incrível Almadense. A programação de 2010 terá uma forte presença da poesia, com Claude Régy a encenar “Ode Marítima”, de Fernando Pessoa, com Jean-Quentin Châtelain como actor. O espectáculo, êxito no Festival de Avignon do ano passado, abre caminho a outros momentos como a leitura de textos e poemas de Margueritte Yourcenar e do poeta grego Constantin Cavafy e a interpretação das “10 Canções de Camões”, por Luís Miguel Cintra. Mas o momento alto de poesia deste festival que homenageia Maria Barroso está reservado para a sala principal do Teatro Municipal de Almada. Carmen Dolores, Eunice Muñoz e Maria Barroso vão encontrar-se pela primeira vez em palco para dizerem poesia de autores portugueses. A edição deste ano do festival assume também produções de carácter provocatório e de reflexão sobre o actual momento de crise económica. Diz Joaquim Benite que “a cultura ajuda a definir novas ideias” e o Espectáculo de Honra vai nesse sentido. “Dialogue d’un chien avec son maître sur la necessite de mordre ses amis”, encenado por Philippe Sireuil, foi votado pelo público para voltar à cena este ano e vive de um encontro improvável entre um homem e um cão. Um discurso desconcertante entre personagens que só faz sentido num mundo virado de pernas para o ar. Outra das produções a reter é a encenação de Daniel Veronese de “Todos los grandes gobiernos han evitado el teatro íntimo”, onde se interroga o modo como a sociedade contemporânea olha a mulher. A não perder também o ensaio sobre a reconstrução do amor-próprio “Un peu de tendresse, bordel de merde”, de Dave St-Pierre. Como sempre o festival não se esgota em espectáculos, a programação inclui também colóquios e debates com criadores. Destaque para o seminário de dois dias, na Casa da Cerca, que reunirá várias personalidades em torno do tema “Crise, Cultura e Democracia”. A programação irá encerrar com mais uma novidade com o público a ser chamado a ouvir ao ar livre, na Escola D. António da Costa, o concerto da Orquestra Gulbenkian e da Orquestra Geração com música de Hayden, Beethoven, Chostakovitch e Tchaikovsky.

Bombeiros de Almada vão apertar o cinto

Ver edição completa Autarquia diz que, pela primeira vez, não pode garantir apoio extraordinário às corporações As três corporações de bombeiros do concelho vão ter de apertar os cordões à bolsa este ano. A Câmara de Almada poderá não ter capacidade financeira para responder com a verba extra que anualmente dá aos bombeiros e, se assim acontecer, ficam em causa algumas obras e a renovação da frota. “Seria demagógico assumirmos compromissos que não sabemos se é possível cumprir”, afirmou publicamente a presidente da Câmara no Dia Municipal do Bombeiro. O primeiro domingo de Junho, mês da Cidade de Almada, é sempre dedicado aos bombeiros do concelho e, neste dia, desde os últimos dez anos, Maria Emília de Sousa assina com as corporações de Almada, Cacilhas e Trafaria um protocolo em que atribui 100 mil euros a cada uma. Uma prenda que este ano não foi entregue o que deixa os bombeiros preocupados. “Já esperávamos que este fosse um ano complicado, e confirmou-se”, comenta o presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas. No entanto o comandante Clemente Mitra tem esperança de receber ainda, pelo menos, uma parte desta verba extra. “Até Novembro a Câmara ficou de rever esta situação. Mas estamos preocupados”. Preocupado está também o comandante dos Bombeiros de Almada. “Não será fácil ficar sem uma verba que temos usado para reestruturar a frota e fazer obras no quartel”, diz Vítor Espírito Santo. “Isto vai fazer mossa, vamos ter de apertar o cinto”, acrescenta. Mas tal como Clemente Mitra, o comandante da corporação de Almada acredita que esta verba não será reduzida a zero. E a própria presidente da Câmara de Almada também não fecha a porta a esta possibilidade. “Se as coisas não correrem tão mal como se espera, até ao final do ano voltamos a atribuir o suplemento para investimento dos bombeiros”. Mas por agora as contas municipais estão amarradas aos 100 milhões de euros que o Governo anunciou que ia cortar nas transferências para as autarquias. “Não sabemos qual o corte financeiro que vamos ter”. E acrescentou: “Contudo, já sabemos o acréscimo que vamos ter no IVA a pagar ao Ministério das Finanças”. “Vamos comer pela medida grossa”. Mas mesmo com menos dinheiro a entrar na conta do município e mais a sair, Maria Emília de Sousa garante que o executivo “não abdica de dar a máxima prioridade aos bombeiros e aos trabalhadores da autarquia”. E se a verba extra para as corporações pode estar em causa, a edil garante que as normais transferências para os bombeiros continua garantida. “É muito importante deixar aqui o compromisso de que os cerca de 800 mil euros que todos os anos são despendidos para as corporações do concelho não vão ser beliscados”. Por exemplo no caso dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas, que por terem dois quartéis recebem mais mensalmente do que as outras corporações, diz o comandante Clemente Mitra que esta transferência “é de cerca de 30 mil euros”. Mas só em despesa com ordenados e manter as equipes de de intervenção “gastamos 60 mil euros”. O resto da receita é conseguido com os serviços de ambulância. “Este ano já investimos numa viatura a contar com a tal verba extra, vamos ver”.